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Recuperação de área contaminada entra em nova fase em Campinas

21/07/2016 09:40

Gases retirados no Mansões de Santo Antônio não são mais detectados.
Exposição prolongada a essas substâncias pode ser cancerígena.

Desde setembro do ano passado, os gases poluentes retirados da área não são mais detectados na atmosfera. Um sistema que filtra os gases tóxicos está em funcionamento desde 2014 no subsolo de uma das torres dos apartamentos.

A exposição prolongada a essas substâncias que eram encontradas no local é considerada cancerígena. "A gente fica aliviado de saber que já não tem mais essa exposição", afirma o morador Rodrigo Cunha.

Mapeamento

A poluição vem de uma empresa de solventes que funcionou da década de 70 até o fim da década de 90 no bairro.

Em 2013, um estudo da Prefeitura mapeou as áreas onde havia contaminação de solo e de água, situação que permanece até hoje.

"A maior parte da área você não pode utilizar água subterrânea, os poços estão fechados. Existe também contaminação de solo e onde essa contaminação tá em maior quantidade, está proibida a movimentação de solo", afirma o secretário do Meio Ambiente, Rogério Menezes.

Com o problema e a extensão dele identificados, a Prefeitura abriu uma nova licitação para tentar solucionar o caso. O plano de remediação da área deve custar cerca de R$ 3 milhões, o mais caro da história da Secretaria do Meio Ambiente. "O plano vai para além da extração de gás e muitas outras técnicas [...] Uma série de tecnologias que serão aplicadas numa área maior que o condomínio", afirma o secretário.

Ainda segundo o secretário, o valor pago pela Prefeitura deve ser cobrado na Justiça. O plano deve entrar em ação em dois anos.

Entenda o caso

Uma empresa contratada pela Prefeitura colocou em operação em 2014 os equipamentos instalados para retirar vapores do subsolo no condomínio Parque Primavera.

Os problemas de contaminação no espaço foram descobertos em 2001, quando a Companhia de Tecnologia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgou um laudo que mostrava grande quantidade de gases de compostos orgânicos no subsolo do prédio, alguns deles cancerígenos.

O sistema consiste em tubos de concreto enterrados entre 30 centímetros e 1 metro abaixo do solo, com paredes porosas. Quando o equipamento é ligado, o vapor é sugado pelas aberturas. Depois disso, o material coletado passa por quatro tubos de ferro com cerca de 2 metros de altura por um metro de largura, que possuem no interior camadas de carvão ativado para filtrar os vapores e liberar o vapor limpo por uma chaminé interligada.

Os trabalhos de implantação e monitoramento do sistema custaram de R$ 813 mil e foram viabilizados por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado por uma construtora com a administração municipal.

De acordo com o estudo iniciado em julho de 2013, os vapores de cloreto de vinila e benzeno são os mais preocupantes, mas ao todo são cerca de 35 produtos químicos detectados na área. Moradores correm risco de contrair câncer se forem expostos por mais de 50 anos. Das quatro torres construídas, apenas uma está habitada.

Fonte: G1

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